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Artigo: O “drobador de estrivo”

Publicado Por | 22/02/2011 | 1

No início do ano de 1997, um rapaz meio doidão, que usava um par de óculos de formato arredondado, trabalhou  por seis meses na construção de um prédio na função de apontador, uma espécie de auxiliar administrativo do ramo da construção civil. Num dos seus digníssimos duros dias de trabalho, o engenheiro, que é claro, era seu chefe,  pediu para ele  elaborar um diário de obra. Neste livro, ele relatava diariamente, é óbvio, todo o trabalho realizado na construção e quem  estava executando-o, exemplo: cinco eletricistas estão  trabalhando os eletrodutos da laje sendo auxiliados por dois ajudantes.

Num certo dia, executando as tarefas do diário, o pobre trabalhador deparou-se com um armador que estava dobrando pequenas ferragens, (armador é o profissional da construção civil responsável pela parte estrutural feita de ferragens na obra). Então, para relatar o que o operário estava fazendo, o apontador perguntou a ele. “Qual o nome específico deste trabalho que o senhor está executando”? Ele respondeu. “Drobação de estrivo”. O doidão achou estranho, pois como era jovem no ramo, não sabia o que era isso, mas percebeu que havia alguma coisa errada porque o armador ao invés de responder dobragem, disse “drobação”. Já “estrivo”,  foi algo que o apontador jamais ouviu na vida. Então este perguntou novamente.” Como, senhor”? O operário armador levantou a voz e em tom de agressividade foi bem claro.”Drobação de estrivo, porr…!!!” O apontador ficou  quieto, fez suas  anotações e voltou para o escritório da obra.

Lá, o engenheiro lhe pediu para  o quatro olhos mostrar o diário de obras, pois queria saber se ele  estava trabalhando-o da maneira correta. Foi onde o chefe notou que estava escrito,  dobragem de “estrivo”. Então ele corrigiu. “Apontador, não é “estrivo”, e sim estribo”. O doidão respondeu ao chefe.” Me desculpe, eu não sabia o que era “estrivo”, e muito menos, estribo, e se eu fosse colocar na íntegra o que o armador disse, ficaria pior: “drobação de estrivo”, pelo menos eu acertei a palavra dobragem”.

O engenheiro riu,  e disse. “Eles são assim mesmo”.

Depois de um tempo o doidão deixou de ser apontador, mas nunca se esqueceu deste cômico episódio. A partir disso, começou a perceber que existem alguns operários muito mais esclarecidos que outras pessoas que se julgam sábias apenas por bem se vestirem e por pertencerem a uma camada social mais elevada. Foi onde ele teve a certeza de que não há “drobadores de estrivos” apenas na construção civil, a presença deles é notória em todos os ramos de trabalho e níveis sociais.

Pode-se incluir entre estes “drobadores”, o analfabeto político, o que enche o peito para dizer que odeia a política sem saber que a sua própria ignorância gera o menor abandonado, a prostituta, bandidos e políticos corruptos, (palavras do poeta alemão Bertolt Brecht). Pode-se também colocar entre os “estrivos”, os participantes da massa de manobra, aqueles que acatam tudo o que o governo, a TV, o modismo, a música de péssimo gosto, entre outras coisas que são empurradas para todos  nós pelo sistema padronizador. Eles nem ao menos questionam o porquê de abraçar todo este esterco imprestável e alienador de cabeças vazias.  São seguidores da hipocrisia e míopes do cérebro.

As dificuldades são minúsculas caso alguém queira encontrar contrastes entre o intelectual e o social. O Brasil se tornou uma vitrine disso, exemplo: uma pessoa dentro de um caro carro importado, proprietária dele é claro, escutando no último volume alto, músicas de péssimo gosto. Este fato acaba apresentando o baixo nível de esclarecimento  a qual essa ouvinte pertence, e  ela mesma nem percebe, pois não tem argúcia para isso,  acha que está abafando. Outro modelo de “drobador” que pode ser  mencionado e relembrado, são aquelas mulheres de padrão econômico avantajado e mal dotadas de massa cefálica, que em entrevistas aos jornais das emissoras de TV numa antiga eleição presidencial afirmaram  votar no ex presidente  Fernando Collor de Mello porque  “consideravam-no  bonito”. Como se beleza fosse a principal qualidade para que um candidato assumisse a Presidência da República.

Em Bertioga, terra de cegos onde quem tem um olho pensa que pode ser rei, é perceptível dentro da arrogância, prepotência, falta de bom senso e de discernimento de alguns munícipes, cujas suas situações financeiras estão “mais ou menos”, longe de serem ricos, o perfil “drobador”. Para estes existe uma excelente mensagem, a mesma que passaram para o apontador quatro olhos e doidão um dia: “não é estrivo, é estribo”! E coisas desse tipo.

Willian Santos , jornalista

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Categoria: Artigo

1 Resposta to “Artigo: O “drobador de estrivo””

  1. jackson Freitas
    25/03/2013 at 11:51 PM #

    Muyito loco isso, pode cre, está cheio de drobador de estrivo que acha que é esperto só porque tem um pouco de dinheiro mas não tem nada na cabeça

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